Entende-se por ananás o fruto da espécie Ananas comosus (L) Merril da família das Bromeliáceas e variedade Cayene "folhas lisas". Tem forma cilíndrica, ligeiramente afusado, com casca de cor laranja forte e polpa amarela translúcida. O sabor é agridoce. Cada fruto pesa entre 900 g e 1500 g.

História: As ilhas portuguesas do Atlântico foram um "pivot" para a introdução e expansão de novas culturas. Assim, os portugueses descobriram o ananás no Brasil e, para além de o trazerem para os Açores, também o expandiram para Santa Helena em 1549 e Índia em 1518. São também os portugueses que o introduzem na Costa Ocidental Africana (segundo Cristóvão Costa, citado por José Mendes Ferrão). Foi um dos primeiros frutos a ser utilizado em conserva, dadas as suas características gustativas.

Uso: Para além do seu consumo em fresco, a casca do ananás é usada para o fabrico do Licor de Ananás. Este fruto entra ainda como ingrediente da doçaria tradicional. No Continente é particularmente apreciado nas festividades do Natal e Ano Novo.

Saber Fazer: O ananás açoreano é cultivado tradicionalmente em estufas de vidro, com solo artificial composto de matéria orgânica. Em todas as fases de cultivo usam-se "camas quentes" com altura necessária para arejamento e drenagem do sistema radicular. Estas são extremamente importantes, dado que o teor de água e humidade é regulado através das regas e do arejamento. Na feitura das "camas" usam-se basicamente leiva (pequenos pedaços de manto vegetal espontâneo), lenha, terra velha (sobrante de anteriores culturas), serradura e aparas de madeira. As estufas de modelo tradicional são de alvenaria, madeira e vidro, com madeiramento pintado de branco  e com fieiras, fechais, tronchas e travessas.
Os estufins e as estufas de propagação são construídos nas proximidades das estufas de produção. Seleccionam-se as "tocas" (propágulo) para a produção de "brolho" (planta na sua 1ª fase de crescimento). A densidade de plantação situa-se entre as 33 000 e 45 000 plantas por hectare, com um compasso que garanta um espaço de 50 cm entre as plantas. É utilizado o  fumo (dentro da estufa fechada, queima-se matéria vegetal, sobre fogareiros de lata colocados no passeio interno da estufa, durante um certo tempo e sempre ao fim da tarde), para indução da floração, quando a planta já está adulta (5 meses depois do seu enraizamento definitivo ou 18 meses após desfolha da toca original). O material usado para o "fumo" é, basicamente, folha de bananeira, ramada e criptoméria. Não podem efectuar-se regas nos trinta dias que antecedem a colheita. Efectua-se esta e procede-se depois à selecção de acordo com o estado de maturação, a coloração e o calibre. Os frutos devem ser sempre segurados pela coroa. Da rotulagem deve constar a menção "Ananás dos Açores/S. Miguel - Denominação de Origem Protegida".

Produção: Produzido na área geográfica (Ilha de S. Miguel) constante do Despacho SRAP/94/2 da Secretaria Regional de Agricultura e Pescas da Região Autónoma dos Açores. A produção estimada em 1993 foi de 1850 ton.

Reconhecida a Denominação de Origem pelo Despacho acima referido.

Registada e protegida a Denominação de Origem Açores/S. Miguel pelo Regulamento (CE) nº 1107/96, de 12/06.

Ananás dos Açores/S. Miguel - Denominação de Origem Protegida (DOP)

Legislação:
Nacional

Desp. D/SRAP/94/2

Comunitária

Reg. CE Nº 1107/96 da COMISSÂO de 12 de Junho de 1996

Bibliografia:

Ferrão,  José  E. Mendes, "A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses", ed. Instituto de Investigação Científica Tropical, 1992;

Anuário Hortofrutícola do IMAIAA, 1994;

Entende-se por ananás o fruto da espécie Ananas comosus (L) Merril da família das Bromeliáceas e variedade Cayene "folhas lisas". Tem forma cilíndrica, ligeiramente afusado, com casca de cor laranja forte e polpa amarela translúcida. O sabor é agridoce. Cada fruto pesa entre 900 g e 1500 g."Produtos Tradicionais Portugueses", Ed. Direcção-Geral do Desenvolvimento Rural (DGDRural), Lisboa, 2001

Ilha: 
São Miguel
Categoria: 
Frescos
FrescosFrutas
Fonte foto: 
Pixabay