Introduzido nos Açores em meados do século XIX, em São Miguel, o Ananás dos Açores rapidamente saiu à conquista dos mercados europeus, chegando à Rússia, Alemanha e Inglaterra onde era considerado um produto de luxo. Com a crise das duas Grandes Guerras Mundiais passou a posicionar-se nos mercados locais e regionais.

Estima-se que terá sido entre 1848 e 1850 que se tenha introduzido a produção de ananás no arquipélago dos Açores, nomeadamente, na ilha de São Miguel. Inicialmente considerado como planta ornamental, este fruto, que havia chegado da América do Sul, passou, aos poucos, a ser cultivado para consumo nas casas mais abastadas da região.

Cerca de 15 anos depois, é construída a primeira estufa e, partindo das experiências de José Bensaúde, conhecido como o primeiro produtor de ananases nos Açores, o ananás passa a ser cultivado em vasos. Registos da época revelam que esta unidade industrial teria capacidade para cerca de 800 plantas.

À época, a necessidade de substituir a produção de laranjas que havia sido afetada por uma doença – a gomosa – levou a que crescesse a procura e investimento num novo produto que preenchesse o vazio deixado em aberto no circuito comercial de exportação. Dadas as suas características, o ananás ganhou então um papel de grande destaque.

A primeira remessa de ananases produzidos no arquipélago sai da ilha de São Miguel no dia 12 de Novembro de 1864  com destino a Londres, obtendo excelentes resultados.

Incentivadas pelo êxito da primeira exportação do fruto, são construídas novas estufas em Ponta Delgada, Fajã de Baixo, São Roque, Vila Franca do Campo, Ribeira das Tainhas, Ponta Garça, Lagoa e Ribeira Grande.

Na década seguinte, e graças ao reconhecimento internacional que o fruto alcançou, a produção atingiu as 40 mil unidades, “em determinadas regiões de São Miguel”, sobretudo a sul, onde as condições atmosféricas e agrícolas se monstravam propícias para o seu crescimento.

Em 1913 o ananás chega à Russia e Alemanha, onde passou a ser bastante apreciado e reconhecido com produto de luxo, estando apenas acessível aos mais abastados.

De acordo com os dados registados na época, os números de exportação atingiram os “184. 100 malotes, 1465 quartos (meias caixas) e 116 grades (contendo cada grade 1 ou 2 ananases, excepcionalmente belos, num vaso com a sua planta), com cerca de 2 milhões de ananases”, rendendo 200 mil libras.

No entanto, apesar deste sucesso, a chegada das duas Grandes Guerras veio alterar por completo este panorâma, tendo a sua produção parado quase por completo.

Em 1951 tentaram-se conquistar novos mercados, como a Suécia, Tânger e Irlanda. No entanto, a crise instalada na sequência das duas guerras levou ao aumento dos custos com a produção e exportação e, como consequência, ao aumento do seu preço de venda, deixando de haver espaço no mercado para este produto de excelência como até aqui.

Após este período, passou a apostar-se no mercado local e regional, sendo que, atualmente, a produção de ananás está centrada em Fajã de Baixo e Vila Franca do Campo.

Tal como antes, o Ananás dos Açores continua a ser produzido em estufas de vidro, através de técnicas de cultivo tradicionais, que implicam a utilização de «fumos» e «camas quentes» à base de matéria vegetal, demorando cerca dois anos até estar pronto para colheita.

Ilha: 
São Miguel
Categoria: 
Frescos
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Fonte foto: 
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