A Indústria portuguesa de Conservas de Peixe conta mais de 160 anos de existência e foi criada como os olhos postos no futuro da exportação. Foi aliás, com a  exposição de Paris de 1885, para onde foram enviadas conservas de sardinha de Setúbal, que se deu o grande “pontapé de saída” para o desenvolvimento de uma atividade que é hoje tão tradicional. Na região Autónoma dos Açores, o setor conserveiro desenvolveu-se na segunda metade do século XX, tendo por base a pesca do Atum.

A história da indústria conserveira nasce no sul do país, em Vila Real de Santo António, em finais do século XIX, onde foi construída a primeira fábrica de conservas dedicada ao fabrico de conservas de atum.

A pesca do atum foi, durante mais de um século, o motor económico da região algarvia, levando este pescado à mesa de milhares de pessoas em todo o mundo. Com o crescimento das exportações, no decorrer do século seguinte, e graças à qualidade do peixe pescado na costa portuguesa, em pouco tempo o atum conquistou um lugar privilegiado na gastronomia mundial.

No entanto, o aumento da procura deste pescado levou a uma sobre-exploração da costa algarvia, tendo sido necessário encontrar locais alternativos para a pesca do atum. Deste modo, e aproveitando também a alteração da rota migratória desta espécie, a indústria conserveira chega aos Açores.

Em 1962 a Bom Petisco instala-se nas ilhas de São Miguel e Pico, aproveitando o que de melhor tem a região.

A verdade é que, para além de ser um ponto de passagem privilegiado na rota migratória de muitos animais marinhos, esta região apresenta as condições ideais, devido à temperatura das águas e à sua origem vulcânica, para a reprodução do atum.

Entre as várias espécies de atum que habitam o Oceano Atlântico, recai o destaque para o atum Skipjack, vulgarmente conhecido por Bonito ou Gaiado, pescado na região.

A forma com esta espécie é pescada é outra das particularidades que contribui para a valorização desta indústria que tem como  lema a sustentabilidade das pescas.

A pesca do atum que se realiza no Arquipélago dos Açores, e que se rege por critérios rigorosos de proteção do ecossistema marinho, designa-se por ‘pesca de salto e vara’ ou por ‘pesca com isco vivo’, utilizando pequenos pelágicos vivos como isco.

Chicharro, sardinha, cavala, carapau, boga ou trombeteiro são as espécies utilizadas para a captura do atum.

Esta atividade é realizada com a colaboração do POPA –Programa de Observação para as Pescas nos Açores - , um projeto de monitorização e controlo das pescas, com o objetivo de garantir a preservação marinha.

Depois de capturado, o peixe é cuidadosamente manuseado para que possa resistir o máximo de tempo possível.

Chegando às fábricas, é cortado e trabalho à mão para ser cozinhado. É depois conservado em óleo, azeite ou água, e posteriormente submetido a um processo de esterilização.

Sem recorrer à utilização de conservantes, está dada a garantia de qualidade de um produto 100% natural que mantém as suas propriedades nutritivas.

Atualmente, o setor conserveiro nos Açores conta com cinco fábricas: duas da Cofaco que detém a marca Bom Petisco (em São Miguel e Pico), a fábrica da Santa Catarina em São Jorge, da Pescatum na ilha Terceira e a da Sociedade Corretora, instalada no início do século XX em São Miguel.

Ilha: 
São Miguel
Pico
São Jorge
Terceira
Categoria: 
Mercearia
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Fonte foto: 
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