Inhame é o nome comum, dado a várias espécies de plantas de vários géneros da família das “Araceae” e a outros da família “Dioscoreacea”. 

No entanto, também se designa por “inhame” o tubérculo de umas e outras destas espécies de plantas. Trata-se de uma herbácea perene, cultivada para o consumo do seu tubérculo, uma vez que, em muitos países e regiões, como é o caso dos Açores, constitui base da alimentação humana, com destaque paras as ilhas das Flores, Pico e São Jorge, onde outrora teve um papel fundamental nas suas economias. 
A revolta dos inhames teve o seu epicentro em São Jorge. 

Nalgumas ilhas dos Açores, também se designa por “coco” quer a planta do inhame, quer o seu tubérculo, como é o caso de São Jorge, onde, ainda hoje, o inhame é extensamente cultivado. Os inhames, sobretudo os que nascem e crescem em terrenos pantanosos ou nas margens das ribeiras, como acontece nas Flores e em São Jorge, produzem tubérculos muito gostosos, embora com sabor diferente aos produzidos em terenos secos e atingem, por vezes, tamanhos gigantescos, com folhas largas e amplas, de interessante efeito decorativo, popularmente designadas por “orelhas de elefante”. 

Na ilha das Flores, o seu tamanho, resistência e frescura faziam com que fossem utilizadas para recolha e transporte de água, levada pelas crianças e mulheres, aos homens que, debaixo de um calor tórrido, trabalhavam nos campos ou quando extraíam o sargaço no Rolo. A folha do inhame conservava a água fresca durante horas e a sua maleabilidade, permitia que se amarrassem na parte exterior, formando uma espécie de saco. A pele do tubérculo, em cru, é áspera e difícil de descascar, por isso se cozem os inhames com a casca, pois, uma vez cozidos, a pele suaviza e não provoca irritação ou comichão na pele, como quando em cru. No entanto, antes de os cozer, os inhames devem ser “rapados” o que origina também graves irritações na pele, se não houver as precauções vividas. 

A casca do inhame varia em cor, desde o castanho-escuro ao rosa claro, dependendo da espécie e variedade da planta, sendo que a porção comestível do inhame possa ter uma polpa com cores que vão do esbranquiçado ao amarelo, rosado ou ao roxo, com casca mais ou menos rugosa com coloração que vai do esbranquiçado ao castanho-escuro. A textura da polpa varia entre o tenro e aguado e o seco e fibroso, dependendo quer da espécie e variedade do inhame, quer do seu estado vegetativo. Regra geral, a parte seca do inhame, em termos alimentares, é bastante mais apreciada. 

Nas Flores, quando um inhame estava ou era excessivamente aguado, dizia-se que estava “run” e não se comia, constituindo, neste caso, alimento para as galinhas ou para os porcos, sendo que estes, também os comiam crus. O inhame cultivado nas ilhas açorianas tem o aspecto de uma planta rústica, dispensando tratamentos sofisticados, sendo o seu tempo de amadurecimento de cerca de dois anos. 

Cultivo: Nas Flores, os inhames cultivados nas terras secas do Lameiro, Lombega e Cabaceira eram sachados e mondados como se de milho se tratasse, no entanto, os inhames que cresciam nas lagoas da Figueira, das Covas e nas ribeiras da Ponta, não necessitavam de nenhum tratamento ou cuidados. No Pico é habitual cobrir-se a terra, ao redor dos inhames, com fetos. Devido ao seu excelente sabor, ao seu valor nutricional e à diversidade de composições culinárias em que pode ser incorporado, o inhame, actualmente, é considerado uma cultura de alto valor, sendo hoje cultivado em todas as regiões tropicais e subtropicais e em algumas regiões temperadas não sujeitas a geadas. Nos Açores continua a desempenhar um papel importante na economia de algumas ilhas, pois o cultivo do inhame é fácil, não estando sujeito a ser prejudicado por ventos, secas ou outras intempéries, sendo as principais condicionantes à sua produção, a disponibilidade de plantio, a competição com ervas daninhas e uma ou outra praga, com destaque para os fungos.

Em geral, o inhame é cultivado tendo, como único aporte externo, a utilização de pequenas quantidades de fertilizante, ou mesmo sem outro fertilizante do que a adição de material orgânico ou de cinzas resultantes de queimadas. Além disso o plantio de inhame, resultante do corte do tubérculo quando este se colhe, pode ser lançado à terra na estação seca, mesmo com o solo está seco e quando a disponibilidade de trabalho das populações é maior. A facilidade do seu desenvolvimento prende-se com o facto, dos seus tubérculos terem uma grande capacidade de armazenamento, continuando a crescer enquanto a disponibilidade de água no solo o permite. Cuida-se que o inhame tem um elevado valor calórico, sendo rico em proteínas e em elementos tais como o fósforo e o potássio, tendo na estrutura alimentar das regiões onde se cultiva, nomeadamente nos Açores, a mesma posição que a batata ocupa nas regiões em que ele é desconhecido. 

Uso: Nos Açores o inhame é muito apreciado como acompanhamento da carne de porco, nomeadamente com os torresmos, a linguiça ou a morcela mas é também muito utilizado como acompanhamento da carne guisada ou, simplesmente, de peixe frito. 
Infelizmente, a excessiva riqueza alimentar do inhame, em termos de proteínas, limita radicalmente o seu consumo aos doentes com insuficiência remal.

Ilha: 
Flores
Pico
São Jorge
Categoria: 
Frescos
FrescosLegumes
Fonte foto: 
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