“… Um certo dia, um homem de cima veio cá baixo à Caldeira. Andou muito tempo por um atalho custoso e apertado e, quando chegou junto à lagoa, sentou-se para descansar um pouco antes de ir pescar. As pernas até lhe tremiam do esforça da descida, mas, com a vista que dali se desfrutava, depressa se sentiu descansado.

Quando vagueava com o olhar pela lagoa, deparou-se com um objeto que lhe parecia ser uma imagem que, apesar de estar metida na água, não estava nada apodrecida. Ficou todo contente com aquele achado. E não era para menos porque, naqueles tempos, achar uma garrafa na costa ou um pranchão era já uma sorte, quanto mais um santinho tão bonito.

Quando voltou para casa ia tão satisfeito que a difícil subida nem lhe custou nada. Puseram o Santo Cristo no melhor quarto da casa.

Mas no outro dia pela manhã, para desgosto e espanto de toda a família, o santo já tinha desaparecido. Procuraram-no e vieram encontrá-lo no areal, nas margens da Caldeira. E o episódio repetiu-se por várias vezes. Por fim alguém disse: Santo Cristo quer estar lá em baixo à beira da Caldeira.

O povo juntou-se e decidiu fazer uma igreja. Pensaram levantá-la na outra banda da lagoa, mas, quando tentaram levar para lá a pedra, não conseguiram. O lugar era ali, perto de onde Santo Cristo tinha aparecido.

Depois de muito sacrifício e trabalho, a Igreja ficou concluída e lá puseram a imagem. Assim, aquela linda fajã passou a chamar-se Caldeira de Santo Cristo. …”

Ilha: 
São Jorge
Categoria: 
Turismo
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Fonte foto: 
Câmara Municipal da Calheta
Fonte texto: 
Câmara Municipal da Calheta