Distribuídos pelas diversas freguesias, os Núcleos Museológicos foram criados e desenvolvidos para preservar e divulgar a cultura e o património do concelho e as principais atividades que marcaram o seu desenvolvimento. A agricultura, a produção dos laticínios ou a caça à baleia foram atividades de grande relevância económica que podem ser observadas nos pólos museológicos, bem como os trabalhos de carpintaria ou a confeção de vestuário.

Ao visitar os Pólos Museológicos é possível observar os utensílios característicos do período entre o final do séc. XIX e meados do séc. XX, usados na agricultura, cuja produção passava predominantemente pela cultura da batata, inhame, milho e do feijão; na confeção têxtil, sendo os teares grandes produtores de peças de vestuário e a lã da ovelha a matéria-prima principal; na carpintaria por onde passava a construção das ferramentas utilizadas no dia-a-dia. Pode-se observar também os utensílios utilizados na caça à baleia, desde o momento da saída para o mar até à produção e comercialização dos produtos extraídos destes cetáceos.

Na agricultura foram várias as culturas com importância no rendimento e subsistência da população. O pastel foi a primeira tendo conhecido a sua expressão máxima nas Flores no século XVI.

Nos cereais a produção foi inicialmente maioritária de trigo (séculos XVI, XVII e XVIII) tendo o milho sido introduzido no século XVIII e ultrapassado a produção do trigo na 2ª metade do século XIX. A partir das primeiras décadas do século XX a importação de farinha de trigo a baixo preço, primeiro, e depois, o incremento da indústria de lacticínios, levaram a que as cearas fossem sendo gradualmente transformadas em pastagens, dando assim origem à queda da produção de milho e ao nascer do que viria a ser o “ciclo da vaca”. Na pecuária, e antes do referido “ciclo da vaca”, foram as ovelhas o primeiro gado lançado nas Flores já que proporcionavam, como nenhum outro animal, quer agasalho quer alimento, ou seja, davam lã, leite e carne. Reza a história que o povo das Flores chegou a possuir, no século XVIII, cerca de 20 mil ovelhas.

A crescente divisão do baldio em tapadas fortificadas, que as Câmaras Municipais, necessitadas de dinheiro, arrendavam a particulares, foi reduzindo a área de criação de ovelhas, cujo efetivo caiu em clara diminuição, sendo que em 1929 o gado ovino estava já reduzido a cerca de 3000 cabeças.

Nos lacticínios nas Flores, até finais do século XIX, toda a produção de queijo e de manteiga de vaca era, além de escassa, inteiramente artesanal, sendo que nesta altura começaram a aparecer as primeiras “indústrias” nas Lajes e na Lomba, tendo-se multiplicado em poucos anos os postos de desnatação e as fábricas de manteiga por toda a ilha; isto originou uma subida acentuada do preço do leite, que levou à instalação de pastagens em terrenos até então de cultivo e ao aumento considerável do efetivo bovino leiteiro – o início do “ciclo da vaca”. A produção industrial de queijo aparece de forma significativa em 1922 na Fazenda de Santa Cruz tendo-se depois espalhado pelo resto da ilha, com especial importância nas freguesias do Lajedo, Fazenda, Lomba, Lajes e Fajã Grande.

A caça à baleia foi uma atividade que durou sensivelmente 120 anos na ilha das Flores, tendo começado em 1860 e terminado em 1981, com alguns períodos de interregno. A caminhada que levaria ao apogeu da caça à baleia nas Flores começa por volta de 1937, ano em que foram capturados 47 cetáceos, apogeu esse que seria atingido com o final da 2ª Guerra Mundial, nas décadas de 50 e 60, com capturas médias da ordem da meia centena, e que em 1963 atingiam mesmo o número recorde de 103 cachalotes.

Os anos 70 começam ainda com capturas anuais médias de 3 dezenas de animais, mas uma safra menos feliz em 1976, que levou ao interregno da atividade nos dois anos seguintes, e a crescente dificuldade na venda do óleo conduziram progressivamente a indústria a um fim próximo o que veio a acontecer em novembro de 1981 com a captura do último cachalote pelas armações florentinas.

Ilha: 
Flores
Categoria: 
Turismo
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Fonte foto: 
Câmara Municipal das Lajes das Flores
Fonte texto: 
Câmara Municipal das Lajes das Flores